Esquizitisses - devir si
A instituição fala pelo ventre, falando por nossa boca
René Lourau
♫ Vaca profana, põe teus cornos pra fora e acima da manada
"Spinoza quer dizer algo muito simples, é que a tristeza não torna inteligente. Na tristeza, estamos fodidos. É por isso que os poderes precisam que os sujeitos sejam tristes"— Deleuze
Esses buracos identitários é que fodem tudo!
As categorias são formas de ser, determinações da existência
Marx
Que é agenciamento? (Tentando organizar as ideias)

No seu vocabulário crítico, o Tomaz Tadeu traz uma definição bacana, diferenciando agência (de agency), que seria uma capacidade de agir que o agente (humano) tem, de agenciamento:

Tradução do francês agencement, significando o ato de arranjar, organizar, dispor um conjunto qualquer de elementos. Na terminologia introduzida por Gilles Deleuze e Félix Guattari, em Mil platôs, o termo é utilizado para significar qualquer combinação ou ligação dispare — sem qualquer hierarquia ou organização centralizada — de elementos, fragmentos ou fluxos das mais variadas e diferentes naturezas: ideias, enunciados, coisas, pessoas, corpos, instituições.

Tá, mas preciso de mais; no Diálogos tem mais pistas:

Não existe agenciamento que funcione sobre um único fluxo. Não é caso de imitação, mas de conjugação. […] O difícil é fazer com que todos os elementos de um conjunto não homogêneo conspirem, fazê-los funcionar juntos. As estruturas estão ligadas a condições de homogeneidade, mas não os agenciamentos. O agenciamento é o co-funcionamento, é a “simpatia”, a simbiose.

Então temos que agenciamento remete a arranjo, conjunto, ligação, “armação”, de elementos até então díspares, mas que funcionam juntas. Como um mosaico, feito de peças que não se encaixam mas que formam um todo coerente, que funciona. Aliás, os próprios mosaicos, aqueles de artesanato, são exemplos de agenciamento? Mais pra frente, ele diz:

[…] A simpatia não é um sentimento vago de estima ou de participação espiritual, ao contrário, é o esforço ou a penetração dos corpos, ódio ou amor, pois também o ódio é uma mistura, ele é um corpo, ele só é bom quando se mistura com o que odeia. […] Os corpos podem ser físicos, biológicos, psíquicos, sociais, verbais, são sempre corpos ou corpus. […] Não há juízo algum na simpatia, mas conveniências entre corpos de toda natureza. […] É isso agenciar: estar no meio, sobre a linha de encontro de um mundo interior e de um mundo exterior. Estar no meio: “O essencial é tornar-se perfeitamente inútil, se absorver na corrente comum […]”.

 “Agenciamento” é importante na esquizoanálise. Mas a palavra raramento aparece sozinha. Ele aparece como “agenciamento do desejo”, “agenciamento [coletivo] de enunciação”, “agenciamento maquínico [dos corpos]”…

Mas cada um desses fica pra uma outra hora…

Até hoje ninguém descobriu de que um corpo é capaz
Spinoza, citado por Vigotski
Aquilo que tu queres, queiras de tal maneira que tu queiras também seu eterno retorno
Gualandi
Argus

Argus

Entendemos que os atendimentos psicológicos e pedagógicos são muitas vezes completamente ineficazes por trabalharem no sentido de re-enquadrar em uma matriz simbólica renegada exatamente aquelas pessoas são de dissidentes dessa matriz. Esse ato é, por si só, violento, se entendermos por violência todo tipo de agressão, simbólica ou real, infringida a pessoas que, de uma forma ou de outra, buscam se constituir fora dos limites da matriz que normatiza a existência e define como abjetas determinadas formas de vida.
Ondina Pena
Um pouco de loucura, senão sufoco.